No dia 19 de fevereiro de 2025, a equipe do Prev.action da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) visitou o município de Salesópolis para apresentar os dados do diagnóstico situacional sobre os padrões de consumo de álcool entre adolescentes na região. A iniciativa faz parte das ações do projeto de prevenção ao uso de bebidas alcoólicas e outras drogas na infância e adolescência, promovendo um debate essencial sobre a realidade local e caminhos para uma atuação mais efetiva.
O evento contou com a participação da coordenadora do projeto, Profa. Dra. Zila Sanchez, e da Profa. Dra. Sheila Caetano, além de pesquisadores de pós-graduação e pós-doutorado, como Luís Eduardo e Marilia Mendes. Também estiveram presentes representantes da gestão municipal, incluindo membros das áreas de assistência social, cultura e turismo, além da primeira-dama, professores e educadores, consideradas pessoas estratégicas para a implementação de políticas de prevenção.
Apresentação do Diagnóstico e Desafios Estratégicos
As atividades foram organizadas em dois períodos. Pela manhã, foram abordados aspectos fundamentais do projeto, com destaque para a contextualização da prevenção ao consumo de álcool entre adolescentes e a apresentação dos programas Elos, #Tamojunto 2.0 e PAS em suas diferentes versões. Além disso, foram expostos os resultados do diagnóstico situacional, com dados quantitativos e qualitativos sobre a realidade local.
Ao longo da discussão, constatou-se que em Salesópolis, atualmente, há carência de atividades extracurriculares para os adolescentes, levando muitos deles a se deslocarem até a Zona Leste para participar de eventos de música hip-hop. Apesar disso, o município tem promovido alguns eventos culturais, como o Dia do Rock, a cavalgada e a realização da feirinha, que é uma atração local voltada para o comércio, e embora os comerciantes não vendam para menores, estes acabam adquirindo bebidas alcoólicas em adegas e consumindo-as no local.
Ainda, foi sugerido que o município amplie a oferta de esportes para adolescentes, incluindo modalidades como basquete e atletismo, além do futebol, visto que eles têm poucas opções hoje. Os representantes do município acreditam que o esporte seja uma excelente estratégia de prevenção. Ficou claro, para os participantes, que a responsabilidade dos pais sobre seus filhos foi apontada como um fator fundamental na prevenção do uso de substâncias e foi enfatizado que a cidade oferece poucas opções de lazer e atividades para jovens, especialmente para aqueles que vivem na zona rural.
No período da tarde, o pesquisador Matheus de Carlos apresentou o diagnóstico ambiental, trazendo uma análise detalhada sobre a influência do ambiente na dinâmica do consumo de álcool entre adolescentes. Em seguida, as pessoas interessadas participaram de uma oficina interativa para discutir desafios e propor intervenções no contexto da prevenção. Foram formados dois grupos de trabalho: um focado na participação familiar e outro no desenvolvimento de estratégias ambientais.
Cartazes da Oficina do Grupo 1: Participação da Família


De acordo com os cartazes acima apresentados, o grupo que trabalhou o papel da família na prevenção, apresentou como sugestões: Utilizar escolas e ONGs para alcançar os pais; Aproveitar horários de reuniões pedagógicas para realizar oficinas com os pais; Oferecer lanches como incentivo à participação dos pais; Ir até as comunidades e realizar reuniões na zona rural; Divulgar informações úteis sobre o consumo de álcool e drogas para pais e familiares; Destacar que a responsabilidade sobre a venda e consumo de álcool por menores deve ser compartilhada entre pais, conselho tutelar e segurança pública.
A grande extensão territorial do município, dificuldade de engajamento dos pais e horários inadequados de atendimento e reuniões foram apontados como barreiras de implementação das ações.
Cartazes da Oficina do Grupo 2: Desenvolvimento de estratégias ambientais


De acordo com o grupo que discutiu as estratégias ambientais são necessárias as seguintes ações: criar campanhas com folhetos, faixas e envolver influenciadores locais, além de líderes escolares e membros do grêmio estudantil; criar um canal seguro para denúncias; estabelecer fiscalização ativa, principalmente no período noturno; ampliar a oferta de atividades extracurriculares; criar legislação que limite a propaganda de bebidas alcoólicas e outras drogas; convocar comerciantes para a apresentação dos dados do diagnóstico situacional; capacitar os comerciantes para que compreendam seu papel na prevenção.
Porém, a falta de divulgação de informações, o medo de retaliações, a falta de efetividade das denúncias, posicionamento político e conflito de interesses de comerciantes foram apresentados como barreiras de implementação.
Propostas e Encaminhamentos
Ao final do evento, ficou acordada a necessidade de um encontro específico com os membros da Secretaria de Educação do município para fortalecer a participação das escolas no projeto.
Além disso, foi proposta a formação de um comitê gestor com representantes das áreas de saúde, educação, assistência social, segurança pública, cultura e outros setores relevantes.
Finalmente, haverá a formação em Ciência da Prevenção nos dias 12 e 13 de março, com apresentação do que funciona ou não em prevenção ao uso de álcool e outras drogas, com a participação do Dr Gregor Burkhart, da EUDA (European Drug Agency).
A iniciativa reforça o compromisso do projeto com a construção de políticas públicas baseadas em evidências e na colaboração intersetorial, visando à redução do consumo de álcool entre adolescentes e a promoção de um ambiente mais seguro e saudável para a juventude de Salesópolis.

